Património e Arte


Brasão da SCMMV

Acompanhando a evolução das Misericórdias na afirmação plena das suas atividades e na prática dos seus princípios, também a Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho, fundada no ano de 1546 por D. João III, criou o seu próprio brasão de armas.

Descrição Heráldica
O brasão da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho juntou a simbologia das Misericórdias e os motivos heráldicos da vila.
Coronel: uma coroa real encimando o escudo.
Escudo: escudo inglês, de formato semelhante ao do escudo francês, mas com uma “orelha” triangular em cada um dos bordos superiores. Este formato de escudo foi usado no século XVIII pelos nobres da Inglaterra, distinguindo-se dos escudos plebeus, pelas “orelhas”.
Partido de campo, o escudo apresenta na parte dextra (à esquerda do observador, o que corresponde à direita heráldica), de fundo púrpura, as armas do concelho de Montemor-o-Velho, com um castelo de ouro aberto e iluminado de negro, acompanhado por duas flores-de-lis, de ouro, e torre central carregada por uma quina de Portugal antigo. Em contrachefe três faixas ondadas, duas de prata e uma de azul. Na parte sinistra (esquerda), de fundo branco, emergem uma cruz latina de cor preta, em chefe, e uma caveira com duas tíbias passadas em aspa, no contrachefe. O brasão não possui listel a identificar a Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho.
Simbologia e alusão das peças
A heráldica, brasão ou armas da Santa Casa de Misericórdia de Montemor-o-Velho, é composta por um conjunto de símbolos, cujo significado se passa a explicar:
A coroa realrepresenta a origem régia das Misericórdias.
Na parte dextra, sobre a cor púrpura, que representa a temperança, nobreza, soberania, honra, riqueza e autoridade, emergem as armas do concelho de Montemor-o-Velho, onde se insere a Santa Casa da Misericórdia, no passado como hoje, uma das mais importantes instituições manlianenses. O castelo de ouro, símbolo do heroísmo e patriotismo dos montemorenses, representa a antiguidade e a importância histórica de Montemor-o-Velho, reforçadas pela quina de Portugal antigo que ostenta a torre central. O facto de se encontrar aberto e iluminado de negro significa que as portas e janelas são desse esmalte (cor), realçando o que lhe está mais próximo. As duas flores-de-lis, de ouro (nobreza e riqueza), simbolizam a fé, a sabedoria e o valor (as três pontas da flor). As três faixas ondadas representam a relevância do rio Mondego no quotidiano da população, significando as duas de prata, a esperança, pureza, inocência, humildade e a riqueza, e a de azul, a justiça, elogio, nobreza, perseverança e zelo, para uns, glória, virtude e dignidade, para outros.
Já na parte sinistra, sobre a cor branca, uma cor que reflete a pureza da instituição num dos seus fundamentos mais nobres: dar a paz a quantos puder dar, a cruz, que simboliza o calvário, é um indicativo do carácter religioso e cristão das Irmandades das Santas Casas de Misericórdia. Quanto à caveira e às duas tíbias, estas simbolizam não só a morte, para a qual a Misericórdia proporciona conforto espiritual, mas também as 14 Obras de Misericórdia, que se constituem como programa das Santas Casas, por vontade da sua fundadora, a rainha D. Leonor, em 1498. Lembremos que a última das Obras de Misericórdia Corporais, consiste precisamente em enterrar os mortos.
(DR.Mário Silva)

Atualizado em 01-02-2013 pela SCMMV

O retábulo da capela do velho hospital de Montemor-o-Velho

Uma das obras mais arcaizantes de pintores da Coimbra Manuelina é sem dúvida, o políptico da capela do hospital de Montemor-o-Velho, dado a conhecer por Vergílio Correia, em 1911 no livro "Caminhos de Montemor", que vinculou a Manuel Vicente e datou de entre 1520 e 1530.

Esta antiga casa de assistência médica teve origem nas reformas hospitalares empreendidas por D.Manuel I, e a construção data de 1504, segundo o teor de uma lápide que existiu no edifício, mas que desapareceu. Ainda recentemente, foram destruídos alguns arcos que pertenceram a esta obra, atitude que nos priva de testemunhos importantes da arquitetura assistencial do início de Quinhentos. O hospital tinha uma capela privativa, ao qual devia pertencer este retábulo, obra cara e que se pressupõe a contribuição de algum mecenas importante, se não o próprio monarca.

Atualizado em 01-02-2013 pela SCMMV